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As quedas em idosos são mais do que simples acidentes do dia a dia — elas representam um problema sério de saúde pública, com consequências que podem impactar profundamente a qualidade de vida, a autonomia e até a expectativa de vida dessa população.
Segundo pesquisas, cerca de 30% dos idosos que vivem em casa caem pelo menos uma vez por ano, e muitos desses episódios resultam em fraturas, hospitalizações e até medo constante de cair novamente. Esse medo, por sua vez, leva à diminuição da atividade física, perda de independência e isolamento social.
É importante entender que as quedas não são um “evento natural” do envelhecimento. Elas geralmente ocorrem devido a uma combinação de fatores, como fraqueza muscular, alterações no equilíbrio, visão comprometida, uso de medicamentos e, principalmente, ambientes inseguros, como pisos escorregadios, tapetes soltos ou iluminação ruim.
Por tudo isso, o tema merece atenção, cuidado e, acima de tudo, informação. Neste artigo, você vai entender o que pode causar as quedas, como preveni-las com ajuda da fisioterapia e o que fazer caso elas aconteçam. Afinal, envelhecer com segurança é um direito — e um compromisso que todos devemos assumir.
Entendendo o impacto das quedas na vida dos idosos
Imagine a seguinte situação: uma pessoa querida da sua família, já com idade avançada, sofre uma queda dentro de casa. Um tropeço no tapete da sala, um escorregão no banheiro ou um degrau desavisado na calçada. O susto é grande — e o medo de que aconteça novamente também.
Infelizmente, essa é a realidade de muitos idosos no Brasil e no mundo. Estima-se que cerca de 30% dos idosos que vivem em casa caem pelo menos uma vez por ano, sendo que uma parte significativa sofre quedas recorrentes.
Mas a boa notícia é que grande parte dessas quedas pode ser evitada com cuidados simples e orientação adequada. Vamos entender melhor esse problema e o que pode ser feito para evitá-lo.
Por que as quedas em idosos são tão perigosas?
As quedas são uma das principais causas de ferimentos graves e até morte entre os idosos. Estima-se que cerca de 30 a 40% das pessoas com mais de 65 anos caiam pelo menos uma vez por ano. E em muitos desses casos, a queda pode trazer sérias consequências, como:
- Fraturas;
- Perda de mobilidade;
- Medo constante de cair de novo;
- Redução da independência;
- E, em casos mais graves, levar à morte.
Além disso, as quedas geram custos elevados com internações, tratamentos, cirurgias e reabilitação — sem contar os impactos emocionais e a sobrecarga para cuidadores e familiares.
Diversos estudos científicos identificaram os principais fatores de risco, entre eles:
- Alterações no equilíbrio e na marcha;
- Uso de muitos medicamentos ao mesmo tempo (polifarmácia);
- Histórico de quedas anteriores;
- Idade avançada e ser do sexo feminino;
- Problemas de visão ou memória;
- Ambiente doméstico com obstáculos ou pouca iluminação.
A boa notícia é que muitos desses fatores podem ser prevenidos ou controlados. Por isso, o acompanhamento de um profissional de saúde, como o fisioterapeuta, é fundamental para avaliar riscos e orientar sobre os melhores cuidados.
O que causa as quedas em idosos?
As quedas são consideradas um evento multifatorial, ou seja, resultam da combinação de diferentes fatores que, juntos, aumentam o risco. Esses fatores podem ser divididos em dois grupos:
- Fatores intrínsecos: relacionados ao próprio corpo do idoso, como alterações na marcha e equilíbrio, fraqueza muscular, problemas de visão, doenças crônicas e uso de certos medicamentos.
- Fatores extrínsecos: ligados ao ambiente, como pisos escorregadios, tapetes soltos, escadas sem corrimão, iluminação inadequada e calçados impróprios.
Esses elementos se somam às alterações naturais do envelhecimento, como a redução dos reflexos e da força muscular, tornando o idoso mais vulnerável a tropeços e escorregões.
Principais Consequências das Quedas em Idosos
As quedas em idosos nem sempre são inofensivas. Muitas vezes, resultam em lesões físicas e impactos emocionais importantes. Conhecer essas consequências ajuda a entender a gravidade do problema.
Entre as complicações mais frequentes estão:
- Fraturas, especialmente no fêmur, quadril, braço e antebraço;
- Lesões musculares, contusões e entorses;
- Dor crônica, que pode limitar ainda mais a mobilidade;
- Hospitalizações e longos períodos de reabilitação;
- Medo de cair novamente, que afeta a confiança do idoso;
- Perda de autonomia e independência nas tarefas do dia a dia;
- Tristeza, isolamento social e até depressão;
- Mudança de casa ou a necessidade de cuidados mais intensos
Quando procurar um fisioterapeuta?
Fique atento aos seguintes sinais:
- Dificuldade para andar ou manter o equilíbrio;
- Histórico de quedas, mesmo sem lesões aparentes;
- Medo constante de cair;
- Fraqueza nas pernas ou rigidez muscular;
- Necessidade crescente de apoio para tarefas simples.
Se algum desses sinais estiver presente, é hora de buscar ajuda profissional. A prevenção começa com a consciência de que cair não é “normal” na velhice — e pode ser evitado.
Como a fisioterapia pode ajudar?
A fisioterapia tem papel fundamental na prevenção e no tratamento após quedas. Com uma abordagem personalizada, o fisioterapeuta pode:
- Avaliar o equilíbrio e a marcha;
- Trabalhar o fortalecimento muscular e a mobilidade;
- Melhorar a coordenação e os reflexos;
- Orientar sobre o uso correto de bengalas ou andadores, quando necessário;
- Indicar modificações no ambiente doméstico para maior segurança.
Além disso, o acompanhamento fisioterapêutico pode ajudar a recuperar a confiança e reduzir o medo de cair novamente, que é comum após uma queda e pode limitar muito a vida do idoso

Dicas práticas para prevenir quedas no dia a dia
A prevenção começa com pequenos cuidados na rotina. Veja algumas medidas simples e eficazes:
Em casa:
- Retire tapetes soltos ou use antiderrapante;
- Instale barras de apoio no banheiro;
- Mantenha os ambientes bem iluminados;
- Evite móveis com quinas ou instáveis;
- Organize os objetos para evitar obstáculos no caminho.
No corpo:
- Use calçados fechados, com solado antiderrapante;
- Evite roupas compridas demais;
- Mantenha os óculos sempre atualizados, se usar.
Na rotina:
- Levante-se devagar da cama ou da cadeira;
- Pratique exercícios leves regularmente (como caminhada ou alongamento);
- Mantenha uma alimentação equilibrada para preservar a força muscular e a saúde óssea
O Medo de Cair: Como cuidar disso?
Após uma queda, muitos idosos desenvolvem um medo persistente de cair novamente — mesmo quando a queda anterior não causou lesões graves.
Esse medo pode levar a:
- Redução da atividade física;
- Isolamento social;
- Perda da autonomia;
- Queda da autoestima;
- Maior risco de novas quedas, por perda de força e equilíbrio.
A boa notícia é que esse ciclo pode ser quebrado com apoio profissional, como a fisioterapia, que devolve segurança e confiança para o idoso voltar a se movimentar com autonomia.

Exercícios para Fortalecer o Corpo
A prática regular de exercícios simples é uma das formas mais eficazes de reduzir o risco de quedas. O segredo está na constância e na escolha dos movimentos certos para cada fase da vida.
Algumas sugestões seguras:
- Caminhada leve, dentro de casa ou em locais planos e tranquilos;
- Alongamentos diários, para melhorar a flexibilidade;
- Exercícios de equilíbrio, como ficar de um pé só (com apoio, se necessário);
- Levantamento de pernas e braços sentado ou em pé;
- Atividades supervisionadas com fisioterapeuta, como pilates solo ou treino funcional.
A recomendação é sempre consultar um profissional antes de iniciar qualquer rotina de exercícios.
✅ Check-up de Prevenção: O que Avaliar?
A prevenção é sempre o melhor caminho. Por isso, vale a pena fazer uma “checagem” periódica dos principais fatores de risco.
Veja o que deve ser observado:
- Como está o equilíbrio? Dificuldades para andar ou levantar-se são sinais de alerta;
- Visão em dia: óculos desatualizados podem aumentar o risco de tropeços;
- Revisar os medicamentos: alguns remédios causam tontura ou sonolência;
- Calçados adequados: evite chinelos frouxos ou com sola lisa;
- Ambiente seguro: cada cômodo deve ser avaliado e, se necessário, adaptado;
- Histórico de quedas: se o idoso já caiu, o risco de uma nova queda é maior.
Essa avaliação pode ser feita com o acompanhamento de um fisioterapeuta ou médico de confiança.
Conclusão: é possível viver com mais segurança e autonomia
Cair não precisa fazer parte do envelhecer. Com os cuidados certos, é possível preservar a independência, reduzir os riscos e viver com mais tranquilidade.
Se você ou alguém da sua família já passou por isso, não hesite: agende uma avaliação com um fisioterapeuta (Clique Aqui).
E compartilhe este artigo com quem também pode se beneficiar dessas informações. Cuidar é um ato de amor.
Referências
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