Tempo de leitura: 11 minutos

Você tem dor lombar ? Você não está sozinho. Qualquer pessoa pode sentir dor lombar a qualquer momento, mesmo que não tenha uma lesão anterior ou nenhum dos fatores de risco. Nem sempre é grave e muitas vezes pode melhorar por si só. Mas, em alguns casos, a dor é a maneira do seu corpo dizer que algo não está certo.
Se você está sentindo essa dor, confira esse artigo detalhado que fizemos especialmente para esse tema! Saiba mais!
Definição da Dor Lombar
A dor lombar é um problema que afeta a região inferior da coluna vertebral. É considerada uma das condições musculoesqueléticas mais comuns em todo o mundo.
De acordo com o estudos do Estudo Global Burden of Disease, a dor lombar continua a ser uma das principais causas de anos vividos com incapacidade, aumentando de 42,5 milhões para 64,9 milhões em todo o mundo entre 1990 e 2017.
A prevalência pontual da LBP foi estimada em até 18%, resultando em maior limitação de atividade e absenteísmo do trabalho.

Tipos de Dor Lombar
- Aguda
- Subaguda
- Crônica
Existem diferenças na duração dos sintomas usadas para classificar a dor lombar como aguda, subaguda e crônica. Em geral, a dor lombar crônica é considerada nas diretrizes como durando mais de 12 semanas. Porém, a diferença entre aguda e subaguda varia, com definições que vão de menos de quatro a menos de 12 semanas.
Essa variação mostra que não há uma definição clara para aguda e subaguda
Essas diferentes categorias frequentemente se sobrepõem, complicando o diagnóstico e o tratamento.
Além disso, a dor lombar também é classificada em específica ou não específica.
A dor lombar específica tem sintomas causados por uma patologia, como hérnia de disco com comprometimento da raiz nervosa, distúrbio inflamatório, infecção, osteoporose, artrite reumatoide, fratura ou tumor.
Já a não específica tem sintomas sem uma causa definida, acometendo 90% de todos os pacientes com dor lombar. Seu diagnóstico se faz por exclusão de patologia específica.
Sintomas da Dor Lombar
Dor lombar pode envolver um amplo espectro de sintomas. Dor lombar pode:
- Venha de repente ou apareça gradualmente.
- Acontece após um evento específico, como abaixar-se para pegar algo. Você pode ouvir um “pop” quando isso acontece.
- Tenha um gatilho desconhecido.
- Sinta-se afiado ou opaco e dolorido.
- Vá e venha ou seja persistente.
- Irradie até a nádega ou para a parte de trás da perna ( ciática ).
- Sente-se pior em certas posições (como curvado ou agachado) e melhora quando deitado.
Outros sintomas de dor lombar podem incluir:
- Rigidez : Pode ser difícil mover ou endireitar suas costas. Levantar-se de uma posição sentada pode levar um tempo, e você pode sentir que precisa caminhar ou se alongar para relaxar. Você pode notar uma diminuição na amplitude de movimento.
- Problemas de postura : Muitas pessoas com dor nas costas acham difícil ficar em pé eretas. Você pode ficar “torto” ou curvado, com o tronco para o lado em vez de alinhado com a coluna. A parte inferior das costas pode parecer plana em vez de curvada.
- Espasmos musculares : Após uma distensão, os músculos da parte inferior das costas podem ter espasmos ou contrair-se incontrolavelmente. Espasmos musculares podem causar dor extrema e dificultar ou impossibilitar ficar de pé, andar ou se mover.
Se você tiver dor intensa e/ou dor lombar que o impeça de realizar atividades diárias, procure um profissional de saúde.
Epidemiologia
A dor lombar é uma das principais causas de incapacidades e limitações de atividades ao redor do mundo. Estudos indicam que aproximadamente 60-70% da população enfrentará pelo menos um episódio de dor lombar ao longo da vida.
Sua prevalência tende a ser maior em mulheres de meia-idade e em idosos, variando entre 1% e 6% em crianças e alcançando picos entre 28% e 42% em adultos entre 40 e 69 anos.
Além disso, a recorrência da dor lombar é comum, com aproximadamente 24-80% das pessoas relatando novos episódios dentro de um ano.
Principais Causas da Dor Lombar
As causas da dor lombar são diversas e podem envolver uma combinação de fatores físicos e psicossociais, como:
- Degeneração de Discos Intervertebrais: Com o tempo, os discos perdem sua função de absorção de impactos e podem sofrer fissuras que causam dor.
- Hérnia de Disco: Ocorre quando o núcleo de um disco se projeta além do seu limite, comprimindo nervos e causando dor radicular
- Estenose Espinhal: Estreitamento do canal espinhal que comprime as estruturas nervosas, geralmente em idosos
- Distúrbios Musculoesqueléticos: Lesões nos músculos, tendões e ligamentos, muitas vezes devido a esforço excessivo, má postura, fraqueza ou desequilíbrio muscular
- Fatores Psicológicos e Sociais: Estresse, ansiedade e depressão também podem agravar ou predispor à dor lombar, e são fatores que devem ser incluídos na hora da avaliação do paciente.
- Sedentarismo: uma das principais causas de dores no mundo, o sedentarismo, que significa não fazer exercícios e preferir repouso, contribui para a dor lombar.
É importante destacar que a realização de exames como raio-x, ressonâncias ou tomografias, muitas vezes são desnecessárias. Uma avaliação bem feita, com o profissional qualificado, é suficiente para propor um tratamento adequado.
Fatores de risco para Dor Lombar
Existem inúmeros fatores de risco que podem contribuir para o desenvolvimento da dor lombar. Dentre eles, podemos destacar:
- Idade
- Nível educacional
- Tabagismo
- Obesidade
- Fatores psicossociais, como estresse, ansiedade e depressão
- Fatores do trabalho, como insatisfação, tarefas monótonas, estresse, manuseio de cargas com rotação do tronco e vibração.
Destaca-se que tanto o tabagismo como a obesidade são fatores de risco modificáveis, ou seja, que a pessoa pode mudar. Dessa forma, uma das estratégias a serem utilizadas no tratamento será a mudança desses hábitos para cessar o tabagismo e combater a obesidade.
Quando devo me preocupar com a dor lombar?
Durante o exame clínico com um profissional de saúde, seja médico ou fisioterapeuta, o profissional irá ficar em alerta para alguns indicadores clínicos que sugerem presença de doença sistêmica ou comprometimento neurológico.
Bandeira vermelha
A designação “bandeiras vermelhas” (red flags), que corresponde a indícios de patologia grave, é sinalizada pelas seguintes condições:
- idade inferior a 20 anos ou acima de 55 anos
- história recente de trauma
- dor constante e progressiva que não melhora com repouso
- dor torácica
- histórico de tumor maligno
- uso prolongado de corticoides
- abuso de drogas
- HIV
- perda de peso inexplicada
- sintomas neurológicos (síndrome da cauda equina e febre)
Bandeira amarela
Ao contrário, as “bandeiras amarelas” (yellow flags) correspondem a:
- crenças inapropriadas sobre a dor lombar
- medo do movimento
- baixa satisfação no trabalho
- ansiedade
- estresse
- depressão
Esses são fatores que aumentam o risco de desenvolver ou perpetuar dor crônica e incapacidade.
Tratamento da Dor Lombar
O tratamento da dor lombar pode variar conforme a gravidade e o tipo de dor. O manejo geralmente combina abordagens farmacológicas e não farmacológicas, com ênfase em intervenções físicas e psicológicas:
Tratamento Conservador
- Fisioterapia: Exercícios de Fortalecimento e específicos, como o Método McKenzie e Pilates clínico, são usados para fortalecer a musculatura de suporte e aumentar a mobilidade.
- Medicamentos: Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são comuns para reduzir a dor. Em casos mais graves, opioides podem ser usados a curto prazo, embora sejam evitados devido aos riscos de dependência.
- Terapias Manuais: Massagem, manipulação da coluna e acupuntura demonstraram benefícios na redução da dor e melhoria da função em alguns casos.
Dicas para Aliviar a Dor Lombar
Algumas estratégias para aliviar a dor lombar incluem:
- Exercícios de Fortalecimento e Alongamento: Atividades físicas que fortalecem a musculatura abdominal e lombar são fundamentais para dar suporte à coluna
- Práticas de Boa Postura: Manter uma postura correta ao sentar, levantar pesos e em atividades diárias pode prevenir o agravamento da dor
- Aplicação de Calor ou Gelo: Pode ajudar a reduzir a inflamação e aliviar a dor nos casos de episódios agudos.
- Técnicas de Relaxamento e Terapias Psicossociais: Estresse e fatores emocionais têm um papel importante na percepção da dor. Técnicas como meditação e terapia cognitivo-comportamental são benéficas.
Pratique atividade física: movimentar o corpo é fundamental para que seu corpo se mantenha ativo e forte. Você pode fazer uma caminhada de 30 minutos, pelo menos 3 vezes na semana. Até exercícios de fortalecimento e alongamentos com pesos em casa, também são suficientes.
Repouso é bom para dor lombar?
A resposta é não! Como mostramos aqui, diversos fatores podem contribuir para a dor lombar, principalmente a falta da atividade física, que torna seus músculos fracos, principalmente se você ficar sentado o dia todo e não fazer pausas para mudança de posição.
Fazer atividade física, não importa qual, é fundamental para o combate do sedentarismo e melhora dos músculos. Além disso, a fisioterapia irá te ajudar com o tratamento específico para a sua dor. Por isso, procure um profissional adequado e que te promova exercícios específicos para a sua condição!
Prevenção e Educação
A prevenção da dor lombar passa pela adoção de hábitos saudáveis e pela educação sobre cuidados com a postura, manejo da dor e como o movimento é o pilar do tratamento.
Programas de educação baseados no modelo biopsicossocial, que integra fatores psicológicos e sociais, mostraram-se eficazes para reduzir a intensidade e a frequência dos episódios de dor lombar.
Por isso, destacamos uma lista para prevenção da dor lombar:
- Fortalecimento dos músculos do tronco CORE
- Alongamentos
- Exercícios posturais
- Evite pegar excesso de peso
- Evitar sobrepeso
- Atividade física e exercícios físicos regulares
- Evitar o sedentarismo, como ficar muito tempo sentado ou deitado
- Verificar como é o colchão. Caso seja muito macio, pode-se trocar por colchões mais firmes, a depender do grau do paciente.
Para a mudança da dor lombar, o paciente precisa mudar os hábitos de vida, inclusive parar de fumar.
Dor lombar irradiando para pernas
A dor lombar pode irradiar para outras partes do corpo: para cima ou para baixo do seu local de origem. Às vezes, a dor lombar pode ser em um lado das costas, o que também é normal.
Se a dor estiver disparando da parte inferior das costas para uma ou ambas as pernas, pode ser ciática (dor no nervo), mas nem sempre é o caso. Existem muitas partes na parte inferior das costas que podem fazer com que a dor irradie para as pernas, como articulações facetárias, articulações sacroilíacas, músculos ou inflamação da bursa.
Referências
ALMEIDA, Darlan Castro; KRAYCHETE, Durval Campos. Dor lombar-uma abordagem diagnóstica. Revista Dor, v. 18, p. 173-177, 2017.
BEECKMANS, Nele et al. The presence of respiratory disorders in individuals with low back pain: A systematic review. Manual therapy, v. 26, p. 77-86, 2016.
BURTON, A. Kim. How to prevent low back pain. Best practice & research Clinical rheumatology, v. 19, n. 4, p. 541-555, 2005.
FRASSON, Viviane Bortoluzzi. Dor lombar: como tratar. OPAS/OMS–Representação Brasil, v. 1, n. 9, p. 1-10, 2016.
HOY, Damian et al. The epidemiology of low back pain. Best practice & research Clinical rheumatology, v. 24, n. 6, p. 769-781, 2010.
KNEZEVIC, Nebojsa Nick et al. Low back pain. The Lancet, 2021.
MAHDAVI, Sadegh Baradaran et al. Association between sedentary behavior and low back pain; A systematic review and meta-analysis. Health promotion perspectives, v. 11, n. 4, p. 393, 2021.
NASCIMENTO, Paulo Roberto Carvalho do; COSTA, Leonardo Oliveira Pena. Prevalência da dor lombar no Brasil: uma revisão sistemática. Cadernos de saúde pública, v. 31, n. 6, p. 1141-1156, 2015.
NIEMINEN, Linda Karoliina; PYYSALO, Liisa Maria; KANKAANPÄÄ, Markku Juhani. Prognostic factors for pain chronicity in low back pain: a systematic review. Pain reports, v. 6, n. 1, p. e919, 2021.
WILL, Joshua Scott; BURY, David C.; MILLER, John A. Mechanical low back pain. American family physician, v. 98, n. 7, p. 421-428, 2018.
ZHOU, Tianyu; SALMAN, David; MCGREGOR, Alison H. Recent clinical practice guidelines for the management of low back pain: a global comparison. BMC Musculoskeletal Disorders, v. 25, n. 1, p. 344, 2024.
Link permanente