Entenda quais os riscos do Sedentarismo

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O comportamento sedentário, definido como qualquer atividade que envolva gasto energético mínimo, como sentar ou deitar durante as horas de vigília, tem se tornado uma preocupação significativa de saúde pública global.

Estudos indicam que aproximadamente um terço da população mundial com 15 anos ou mais não realiza atividades físicas suficientes, contribuindo para cerca de 3,2 milhões de mortes anuais.

Na Coreia do Sul, a média diária de comportamento sedentário é de 8,3 horas, enquanto nos Estados Unidos é de 7,7 horas. Esses números refletem uma tendência global de aumento do sedentarismo, impulsionada por fatores como a falta de espaços adequados para exercícios, o crescimento de ocupações que exigem longos períodos sentados e o aumento do consumo de mídia digital.

Causas do Aumento do Comportamento Sedentário

Diversos fatores contribuem para o aumento do comportamento sedentário na sociedade moderna:

1. Ambiente Construído

A urbanização rápida resultou em cidades com infraestrutura inadequada para atividades físicas, como a escassez de parques, calçadas e ciclovias. Além disso, o congestionamento do tráfego e a poluição do ar desencorajam as pessoas a se envolverem em atividades ao ar livre.

2. Mudanças Ocupacionais

A transição de empregos que exigem esforço físico para ocupações predominantemente de escritório aumentou o tempo que as pessoas passam sentadas durante o trabalho. O advento do trabalho remoto e o uso extensivo de computadores contribuíram ainda mais para essa tendência.

3. Avanços Tecnológicos

O aumento do tempo gasto assistindo televisão, jogando videogames e usando smartphones está positivamente correlacionado com um estilo de vida mais sedentário. A facilidade de acesso ao entretenimento digital reduziu a motivação para atividades físicas.

4. Fatores Sociais e Culturais

Mudanças nos padrões sociais, como a preferência por atividades de lazer passivas e a diminuição da participação em esportes comunitários, contribuíram para o aumento do comportamento sedentário.

O que está impulsionando o aumento do sedentarismo?

Diversos fatores contribuem para o crescimento desse problema, incluindo:

  • Falta de espaços adequados para exercícios: Muitas pessoas não têm acesso a academias ou áreas de lazer.
  • Rotinas de trabalho cada vez mais sedentárias: O número de empregos que exigem longas horas sentado, como funções administrativas e home office, está aumentando.
  • Maior consumo de mídia digital: O tempo gasto assistindo TV, jogando videogames e navegando na internet contribui para estilos de vida mais sedentários.

Como o Sedentarismo Afeta o Corpo?

O comportamento sedentário impacta negativamente a saúde por meio de diversos mecanismos fisiológicos:

  • Metabolismo comprometido: Redução da atividade da lipoproteína lipase e menor eficiência no metabolismo de carboidratos e gorduras.
  • Problemas cardiovasculares: Diminuição do débito cardíaco e do fluxo sanguíneo sistêmico, além de ativação excessiva do sistema nervoso simpático, o que reduz a sensibilidade à insulina.
  • Aumento do risco de câncer: Alterações hormonais e inflamação crônica aumentam a predisposição a cânceres relacionados a hormônios.
  • Impacto no peso corporal: O sedentarismo afeta o gravitóstato, um mecanismo biológico que regula o peso corporal, contribuindo para o ganho de peso e obesidade.

Exemplos de Comportamento sedentário

Impactos na Saúde Associados ao Sedentarismo

O comportamento sedentário está associado a uma série de efeitos adversos à saúde, incluindo:

1. Aumento da Mortalidade

Estudos demonstram que altos níveis de comportamento sedentário estão associados a um aumento da mortalidade por todas as causas, bem como a mortalidade específica por doenças cardiovasculares.

2. Doenças Cardiovasculares

O sedentarismo contribui para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como hipertensão e doença arterial coronariana, devido a efeitos negativos no metabolismo lipídico e na função vascular.

3. Risco de Câncer

Há evidências de que comportamentos sedentários aumentam o risco de certos tipos de câncer, incluindo câncer de mama e colorretal, possivelmente devido a alterações nos níveis hormonais e aumento da inflamação crônica.

4. Distúrbios Metabólicos

A inatividade física está ligada ao desenvolvimento de distúrbios metabólicos, como diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia e síndrome metabólica, devido à redução da sensibilidade à insulina e ao comprometimento do metabolismo da glicose.

5. Problemas Musculoesqueléticos

Permanecer sentado por longos períodos pode levar a dores musculoesqueléticas, como dor lombar e osteoporose, devido à falta de estímulo mecânico nos ossos e músculos.

6. Saúde Mental

O sedentarismo está associado a um aumento do risco de depressão e comprometimento cognitivo, possivelmente devido à redução da liberação de endorfinas e ao isolamento social.

Quão sedentários somos?

A inatividade física contribui para mais de três milhões de mortes evitáveis ​​no mundo todo a cada ano (isso é seis por cento de todas as mortes). É a quarta principal causa de morte devido a doenças não transmissíveis.

Também é a causa de 21–25 por cento dos cânceres de mama e cólon, 27 por cento dos casos de diabetes e cerca de 30 por cento das doenças cardíacas isquêmicas. Na verdade, a inatividade física é a segunda maior causa de câncer na Austrália, atrás do tabagismo .

Os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde mostram:

  • Quase uma em cada quatro (24,5%) pessoas com idade entre 18 e 64 anos atendeu às diretrizes de atividade física.
  • Menos de uma em cada dez crianças australianas entre 15 e 17 anos faz os 60 minutos recomendados de atividade física todos os dias.
  • Menos de uma em cada três crianças e jovens não passa mais de duas horas em frente a uma tela por dia.
  • Quase metade (49%) das pessoas empregadas com idades entre 18 e 64 anos descreveram que seu dia de trabalho era basicamente sentado.

Crianças e jovens

A Pesquisa de Saúde Australiana descobriu que crianças pequenas e pré-escolares (de 2 a 4 anos) passam em média seis horas por dia praticando algum tipo de atividade física e uma hora e meia em frente a alguma tela.

Esses números mudaram drasticamente quando a pesquisa observou crianças e jovens (de 5 a 17 anos). Eles passam apenas uma hora e meia por dia fazendo atividades físicas, e mais de duas horas por dia em frente a telas.

O tempo gasto em atividade física diminuiu à medida que os jovens ficaram mais velhos, enquanto o tempo gasto em atividades baseadas em tela aumentou.

Pouco menos da metade de todas as crianças e jovens (de 2 a 17 anos) tinham pelo menos um tipo de tela (como televisão, computador ou console de jogos) em seu quarto. Esse número cresceu para três quartos para jovens de 15 a 17 anos.

A faixa etária de 15 a 17 anos foi a menos propensa a caminhar 12.000 passos por dia, com apenas 7% atingindo essa meta. Crianças mais novas, de 5 a 11 anos, foram muito mais propensas a caminhar mais durante o dia (em torno de 23%).

Adultos

A Pesquisa de Saúde Australiana descobriu que os jovens adultos atingiram o maior nível de atividade de todos os adultos, com 53% dos jovens de 18 a 24 anos sendo classificados como suficientemente ativos.

As pessoas tendem a se tornar menos ativas conforme envelhecem. O menor nível de atividade foi entre aqueles com 65 anos ou mais, com esse grupo alcançando cerca de 20 minutos de atividade por dia.

Apenas 42% das pessoas com 65 anos ou mais atenderam às diretrizes de atividade física da Austrália  .

As pessoas tinham maior probabilidade de fazer exercícios suficientes se:

  • eram mais ricos
  • classificaram sua saúde como ‘excelente’
  • estavam na faixa de baixo peso ou normal do índice de massa corporal, em vez da faixa de obesidade
  • não fumava ou tinha parado de fumar
  • não tinham um emprego em que ficassem muito tempo sentados, como trabalho administrativo ou de escritório
  • assistiram menos televisão e usaram a internet menos que a média (13 horas e 9 horas por semana, respectivamente).

Adultos deram uma média de 7.400 passos por dia. Menos de um em cada cinco adultos deu 10.000 passos por dia.

Estratégias para Reduzir o Comportamento Sedentário

Abordar o sedentarismo requer uma abordagem multifacetada que envolva mudanças no estilo de vida individual, bem como intervenções em nível comunitário e político:

1. Incorporação de Atividade Física na Rotina Diária

Pequenas mudanças, como optar por escadas em vez de elevadores, caminhar ou pedalar para o trabalho e fazer pausas regulares para alongamentos durante o dia, podem reduzir significativamente o tempo sedentário.

2. Ambientes de Trabalho Ativos

Empregadores podem promover a saúde dos funcionários fornecendo estações de trabalho em pé, incentivando reuniões em movimento e implementando programas de bem-estar no local de trabalho.

3. Projetos Urbanos Favoráveis à Atividade Física

O desenvolvimento de infraestrutura que apoie atividades físicas, como parques, ciclovias e calçadas seguras, pode incentivar a população a se envolver em atividades físicas regulares.

4. Campanhas de Sensibilização Pública

Programas educacionais que destacam os riscos associados ao sedentarismo e os benefícios da atividade física podem motivar mudanças comportamentais na população.

5. Uso de Tecnologia para Incentivar a Atividade Física

Aplicativos de rastreamento de atividade, smartwatches e programas interativos podem ajudar as pessoas a monitorar e aumentar sua atividade física diária.

O combate ao sedentarismo é um desafio, mas pequenas mudanças podem trazer grandes benefícios à saúde e bem-estar da população.

Conclusão

O sedentarismo está diretamente ligado a diversas doenças crônicas e à redução da qualidade de vida. Adotar hábitos mais ativos é essencial para a promoção da saúde e a prevenção de complicações futuras. Pequenos ajustes diários podem fazer uma grande diferença no bem-estar e na longevidade.